2ª fase da OAB: como escolher a área e estruturar a peça prática
Como decidir entre as sete áreas da prova prático-profissional, o que avaliar antes de mudar de escolha e um roteiro para estruturar a peça e as questões discursivas.
A 2ª fase muda completamente de natureza em relação à primeira. Não há alternativas, não há eliminação: você precisa produzir um texto técnico, com fundamentação e endereçamento corretos, sob pressão de tempo.
A prova prático-profissional costuma ter uma peça profissional, que vale 5,0 pontos, e quatro questões discursivas de 1,25 ponto cada. A aprovação exige 6,0 de 10,0, em 5 horas de prova, com consulta a legislação não comentada e não anotada. Confirme as regras de consulta no edital da sua edição — elas mudam com frequência.
As sete áreas disponíveis
Você escolhe uma entre: Direito Administrativo, Civil, Constitucional, Empresarial, Penal, do Trabalho e Tributário.
Não existe área "mais fácil" universal. Existe a área em que você produz um texto melhor sob pressão.
Quatro critérios para escolher
1. Domínio processual, não teórico. A 2ª fase é prova de prática. Vale menos saber teoria de contratos e mais saber qual ação propor, contra quem, perante qual juízo e com qual fundamento.
2. Previsibilidade das peças. Algumas áreas concentram a cobrança em um número menor de peças típicas, o que reduz o risco. Trabalho e Penal, por exemplo, costumam girar em torno de um conjunto relativamente estável de peças.
3. Volume de legislação consultável. Áreas em que a consulta ao texto legal resolve boa parte da fundamentação tendem a ser mais confortáveis para quem escreve bem, mas exigem domínio da estrutura do código para não perder tempo folheando.
4. Sua rotina profissional. Se você estagia ou trabalha em uma área, já tem repertório de peças, vocabulário e endereçamento. Isso vale muito mais do que afinidade acadêmica.
Um teste prático antes de decidir
Escolha duas áreas candidatas e faça uma peça de cada, cronometrada, a partir de exames anteriores. Depois compare:
- Em qual você identificou a peça correta com mais segurança?
- Em qual a fundamentação fluiu sem travar?
- Em qual você terminou dentro do tempo?
A resposta costuma ser evidente. Escolha com base no desempenho real, não na impressão prévia.
Mudar de área depois de reprovar: vale a pena?
Só se houver um motivo objetivo. Se você reprovou por não identificar a peça ou por desconhecer o processo da área, mudar pode ajudar. Se reprovou por falta de treino, por gestão de tempo ou por fundamentação rasa, mudar de área só reinicia a curva de aprendizado — o problema seguirá igual na área nova.
A estrutura de uma peça que pontua
O espelho de correção distribui pontos por itens objetivos. Sua peça precisa entregar cada um deles de forma identificável:
- Endereçamento correto — juízo e comarca certos, sem identificação pessoal.
- Qualificação das partes — sem inventar dados não fornecidos.
- Identificação da peça adequada — o item de maior risco: peça errada compromete quase toda a nota.
- Fatos — narrativa objetiva do caso, sem cópia integral do enunciado.
- Fundamentação jurídica — dispositivos legais indicados de forma expressa.
- Pedidos completos — inclusive os acessórios: tutela, honorários, custas, gratuidade, produção de provas.
- Fechamento — valor da causa quando cabível, local, data e "Advogado, OAB nº" sem dados reais.
Pontos são perdidos com frequência em pedidos acessórios e no valor da causa — itens simples que rendem nota e que se resolvem com uma lista de conferência memorizada.
As questões discursivas valem 5,0
Metade da prova está nas quatro discursivas, e muitos candidatos as tratam como complemento. Cada resposta deve ter, tipicamente:
- Resposta direta ao que foi perguntado, na primeira linha.
- Fundamento legal expresso.
- Uma breve justificativa aplicando a regra ao caso.
Respostas longas não pontuam mais. Respostas que não citam o dispositivo perdem pontos mesmo quando a conclusão está correta.
Como treinar
Escreva peças à mão, cronometrado, e compare com o espelho oficial de correção item por item. Duas peças por semana, corrigidas com rigor, produzem mais evolução do que ler dez modelos prontos.
Antes da 2ª fase, garanta a primeira
Se você ainda está na fase objetiva, o passo anterior é chegar aos 40 acertos: comece pelo guia de aprovação na 1ª fase e treine no banco de questões da OAB.
Perguntas frequentes
- Qual a área mais fácil da 2ª fase da OAB?
- Não existe área mais fácil de forma absoluta. A melhor escolha é aquela em que você domina o processo, identifica a peça com segurança e escreve dentro do tempo — o que se descobre testando peças cronometradas.
- Quanto preciso tirar para passar na 2ª fase da OAB?
- São necessários 6,0 pontos de um total de 10,0, distribuídos entre a peça profissional, que vale 5,0, e quatro questões discursivas de 1,25 cada.
- Posso consultar a lei na 2ª fase?
- Em regra é permitida a consulta a legislação não comentada e não anotada, conforme o edital de cada exame. Verifique sempre as regras específicas da sua edição antes da prova.