Como resolver questões da FGV: 7 padrões que se repetem no Exame de Ordem
A banca do Exame de Ordem tem manias. Conheça os padrões de enunciado, os tipos de distrator e o passo a passo de leitura que evita erros por desatenção.
Depois de algumas centenas de questões, uma coisa fica clara: a FGV tem estilo próprio. Ela costuma cobrar aplicação de regra a um caso concreto, não decoreba pura. Quem reconhece o padrão ganha tempo e evita armadilhas.
Abaixo, os padrões que mais se repetem e como lidar com cada um.
1. O enunciado-caso com informação irrelevante
A FGV adora contextualizar: nomes, datas, valores, profissões. Boa parte disso é irrelevante e serve apenas para aumentar o custo de leitura. O que importa quase sempre está nas duas últimas linhas, no comando.
Técnica: leia o comando primeiro, depois volte ao caso sabendo o que procurar.
2. O comando invertido
"Assinale a alternativa incorreta", "exceto", "não é requisito". É o erro mais comum da prova — e o mais barato de evitar.
Técnica: circule a palavra do comando antes de olhar as alternativas. Custa dois segundos.
3. A alternativa quase certa
O distrator clássico da banca troca um único elemento: o prazo (15 dias vira 10), o legitimado (Ministério Público vira Defensoria), o efeito (suspensivo vira devolutivo) ou a competência.
Técnica: ao comparar duas alternativas parecidas, identifique exatamente qual palavra as diferencia e decida só sobre ela.
4. O absoluto disfarçado
"Sempre", "em nenhuma hipótese", "obrigatoriamente", "é vedado em qualquer caso". O Direito é cheio de exceções, e alternativas absolutas costumam ser falsas — costumam, não sempre. Em Ética Profissional, por exemplo, várias vedações são realmente absolutas.
Técnica: trate o absoluto como um sinal de alerta que exige lembrar de uma exceção concreta. Se você conseguir citar a exceção, a alternativa cai.
5. A literalidade da lei
Em Ética, Constitucional e Tributário, a cobrança é frequentemente literal. A alternativa correta é praticamente o texto do dispositivo.
Técnica: leia a lei seca das disciplinas mais literais. É leitura chata e altamente rentável.
6. A questão de súmula ou entendimento consolidado
Súmulas do STF, STJ e TST aparecem com frequência, sobretudo em Trabalho e Processo Civil.
Técnica: faça uma lista curta com as súmulas que mais aparecem nas questões que você resolve — não decore centenas, decore as recorrentes.
7. A questão de prática profissional
Muitas questões colocam você no papel do advogado: "qual medida cabível?", "qual recurso adequado?". A resposta depende de cabimento e prazo, não de teoria.
Técnica: ao estudar processo, monte uma tabela pessoal de "situação → medida cabível → prazo".
O passo a passo de 4 movimentos
- Comando primeiro. Descubra o que está sendo pedido antes de ler o caso.
- Caso com filtro. Releia o enunciado procurando apenas os fatos juridicamente relevantes.
- Eliminação ativa. Descarte as claramente erradas e explique para si mesmo o porquê — isso evita eliminar a correta por pressa.
- Decisão entre duas. Encontre a palavra que diferencia as finalistas e decida sobre ela.
O erro que atrasa a preparação
Ler o comentário só das questões erradas. Você acerta uma parte das questões por eliminação ou intuição — e essas são exatamente as que voltarão a aparecer com outra roupagem. Leia o comentário de todas.
Treine o padrão, não só o conteúdo
Reconhecer padrões é habilidade treinável, e treina-se com volume dirigido: séries de 20 a 30 questões da mesma disciplina, com correção comentada logo em seguida. Comece um bloco agora no banco de questões comentadas da OAB ou resolva uma edição inteira em provas anteriores.
Perguntas frequentes
- A FGV cobra letra de lei ou doutrina na OAB?
- Predominantemente aplicação de lei e de entendimentos consolidados a casos concretos. Doutrina aparece de forma pontual, sobretudo em Filosofia do Direito.
- Vale a pena chutar nas questões da OAB?
- Sim. Não há penalidade por erro, então toda questão deve ser respondida. Antes de chutar, elimine ao menos uma alternativa para aumentar a probabilidade.
- Quantas questões devo resolver por dia?
- De 20 a 40 questões diárias, sempre com leitura dos comentários, já produzem evolução consistente. Volume sem correção comentada não gera aprendizado.